terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Óssip

Foram os oito dias mais cheios de amor e de responsabilidade que eu já tive na vida. Sem duvida, uma lição válida, que vou carregar comigo para sempre. Nunca vou esquecer aqueles olhinhos azuis que brilhavam de tanta alegria, e ficavam saltitando pela casa inteira. Um bobo! Se entrelaçava entre minhas pernas e me deixava toda atrapalhada. Por oito dias dormia ao meu lado, e me acordava cedo por pura bobagem, eu, no ápice da minha preguiça diária, acordava irritada, mas cedi todos os dias, e o fiz feliz todas as manhãs deixando-as repletas de sorrisos sinceros. E limpar tantos vestígios que eram espalhados todos os dias? Haja paciência, e o safado ainda agia como se nada tivesse acontecido. Eu o repreendia sempre, ele sempre estava errado mesmo, porém hoje eu me arrependo, poderia ter trocado aqueles minutos de gritos e arranhões por mais beijinhos e carinhos. Mas o amor tem dessas coisas... O amor é sempre avassalador e destrutivo.
Mordidas, abraços e carinhos. Arranhões, beijos e colo. Eu faria tudo denovo três vezes mais pra te ver crescer ao meu lado, para ficar com seu cheiro impregnado no meu cabelo durante mais alguns anos, para sempre ter machucados derivados das suas mordidas nos meus dedos... Entretanto, o amor é incompreensível, fazemos loucuras contraditórias com a justificativa de que amamos incondicionalmente. No fundo, eu entendo que foi para o seu próprio bem, em algumas semanas há uma adaptação natural, e eu serei a única que ficará com lágrimas nos olhos sempre que enxergar, em qualquer lugar, um filhote de labrador.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Descontrolação do Desencontro

O descontrole é algo imprevisível e tentador. Sou descontrolada de uma forma excessiva, carnal, violenta e prazerosa. Quando noto meu estágio de descontrolamento já estou fazendo completamente tomada e mergulhada nas ânsias da inconseqüência. Não que isso seja ruim, mas é assustador, esse meu modo compulsivo e lidar com as situações e com as palavras as vezes não me é favorável, porém sempre há aquela sensação de sede saciada. E essa é a melhor parte, são poucos segundos mágicos que valem a pena. Eu só não consigo entender a repulsa que surge em seguida, não há lógica e nem coerência aparente nessa relação posterior que sempre se estabelece, isso me incomoda, mas não consigo evitar, não está sob meu controle. Assim como nada esta sob meu controle, desde minhas pernas trêmulas até os pelos dos meus braços arrepiados, tudo é muito mais forte e intenso nesses momentos...
Acho engraçado como as coisas acontecem repentinamente, isso me assusta. Eles chegam, fazem o que tem de fazer e depois somem, como se nunca tivesses existido. Só que eles deixam rastros, seus odores mais peculiares ficam nas minhas mãos, seus sabores tão delicados permanecem nos meus lábios, posso ouvir suas vozes na minha mente por dias... E não há uma ligação direta, entretanto há uma corrente de energia que transpassa e age da melhor forma possível... Os lugares ficam repletos de sensações e histórias, as palavras que foram lançadas “em vão” se tornam apenas lembranças noites tão curtas e inexplicáveis, e no fim das contas o descontrole foi apenas um catalisador para tudo aquilo que eu precisava naquele instante.
Os dias são curtos, e as noites cansativas. Sempre esperamos o telefone tocar no dia seguinte. Estou disposta a correr os riscos.