Você está ali vivendo sua vida, tendo dias normais, trabalhando muito e ganhando pouco, reencontrando amigos, celebrando noites comuns nos bares de sempre. Inclusive na vida não tem tido muitos momentos propícios à serem festejados, mas não dá pra ser menos etílico do que o habitual, então é necessário calibrar de vez em quando. O problema está quando erramos a margem do álcool e capotamos nas curvas de nossas estradas, tropeçamos nas mãos que foram enfiadas por entre as pernas e nos perdemos. Em meio a conversas com argumentos infindáveis, misturado entre os tragos e os goles, de supetão você é acometido por aquele soco no estomago, mas daqueles fortes, que parecem tapas de uma mão bem cheia de dedos bem no meio da sua cara, esses sentimentos que só se sente quando se é açoitado pelas verdades alheias que fazem as palavras se materializarem em sentimentos e dores. Aí você se depara que está imersa em uma discussão sobre egos, vaidades, verdades e cheias de más interpretações sobre os fatos, e percebe que naquela momento não há mais sentido em nada e todas as palavras virarão dores que serão imortais em nossas memórias, olha ao redor e se pergunta onde estávamos antes disso e como é que conseguimos chegar até ali. Parece que existe uma pulga inquieta querendo muito saltar e ser ouvida, e parece que ela existe do outro lado também, e quando as pulgas se encontram saltitante inquietas e questionadoras, é quando percebemos que nada esta bem.
Seu corpo se altera, sente os dentes trincados de tensão, as costas cansadas e pesadas, na cabeça além de pontadas afiadas pensamentos turvos que não conseguem se organizar, a cada frase que você ouve seu cérebro processa novos pensamentos e novas sensações, você está girando no olho do furacão da sua própria mente, então você chora, chora copiosamente como se tivesse seis anos de idade. É ridículo você chorar daquele jeito, principalmente porque mostra fraqueza, mas também por ser ridículo mesmo chorar igual à uma criança. Tudo incomoda, o choro de um lado o grito de outro, você para e pensa que o mundo está de ponta cabeça é como se tudo ao redor estivesse em ruínas, sua respiração ofegante deixando o choro ainda pior, seu coração acelerado pulsando dentro do seu peito, se você fechar seus olhos pode ouvi-lo bater dentro de você. Você se esforça, se concentra, consegue contra-argumentar mesmo não sabendo exatamente qual é o assunto pelo qual estamos tendo todo esse desgaste emocional, E ao mesmo tempo percebe-se tantos poréns diferentes que vem a tona no calor do momento. Os sentimentos são muito confusos, e o choro piora tudo, você está com medo, está nervosa, está assustada, está com raiva, está magoada, está muita raiva por ter tido o poder de escolha de estar ou não naquela situação, você quer matar, morrer, cair, pular, sair correndo, gritar, berrar, chorar, mas no fundo você queria mesmo era entender tudo aquilo com calma. Ao que tudo indica muitos frutos já estão podres, parece que deu praga no nosso jardim. Vai vê foram aquelas pulgas que se multiplicaram.
Mas mesmo assim, no outro dia pela manhã, os pássaros cantaram no quintal.
Insensatices
dizeres de uma confusão ótica sensorial
terça-feira, 19 de julho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Uma vontade danada...
Tem me dado uma vontade danada de escrever livremente, lembrei que tenho um blog, lembrei que ninguém lê ele, mas gosto da possibilidade. Gosto de saber que é possível que ele seja lido. Mas sem criar as expectativas se vão lê-lo ou não...
A gente vive numa era, onde tudo têm tá online senão não existe, entretanto, tudo que está online não existe no mundo material... Engraçado o ser humano, precisamos não existir, para existir de verdade.
Vou voltar a usar blog. Vou postar semanalmente.
A gente vive numa era, onde tudo têm tá online senão não existe, entretanto, tudo que está online não existe no mundo material... Engraçado o ser humano, precisamos não existir, para existir de verdade.
Vou voltar a usar blog. Vou postar semanalmente.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Da época que o mundo ia acabar
Hoje é 21/12/2012 e o mundo
não acabou. O que isso significa? Que Nostradamus se equivocou na sua previsão. Os Maias também não acertaram essa. Ou seja, até àquelas que acertaram sempre e
possuem confiança e respeito por isso, erram pelo menos uma vez. Se o mundo
acabasse hoje, eu estaria tranquila. Teria tomado todo o álcool que cabem nos
meus vinte anos, já teria usado todas as drogas que tive vontade e teria
transado (quase) de todas as formas que tinha imaginado. Ah, já teria conhecido
pessoas que representaram muito bem o time dos humanos, já teria vivido um
grande amor, já teria aprendido a valorizar a família, já teria tido amigos de
verdade, já teria feito dividas e já saberia o que é ser rico e o que é ser
pobre (tanto de dinheiro quanto de sentimentos). Enfim, se toda a humanidade
acabasse hoje, o mundo seria um lugar melhor, porque a gente sempre da um jeito
de fuder com tudo.
Impressionante como quando nós
temos uma vida pra ser vivida, para de fazer sentido o ato de registrar tudo
minuciosamente, porque enquanto registra-se tão detalhadamente, as ocasiões
passam pela sua janela sem você perceber. Cada bobagem que fazemos na
juventude! HÁ!
Queria lembrar de como era não ter vícios.
P.S.: Se toda a humanidade
acabasse hoje, eu estaria deitada em um igarapé ouvindo apenas os ruídos da
água, e imitando o movimento sinuoso da copa de uma árvore que bailava sob meus
olhos à metros de distancia. Seria um bom final.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Relato de Experiência.
Na disciplina Estágio II ministrada pela professora Inês Ribeiro para a turma que ingressou em 2010 no curso de licenciatura plena em teatro, nós fomos orientados a observar e acompanhar a disciplina Prática de Montagem I que faz parte da grade curricular do Curso Técnico em Ator da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), ministrada pelos professores Marluce Oliveira e Paulo Santana para a turma do primeiro ano do referente curso.
Tal disciplina tem como objetivo a prática do fazer artístico dos alunos, tendo como resultado final a apresentação de um espetáculo que foi montado ao decorrer da disciplina. Nesse caso é uma atividade integrada da instituição, onde para a realização do produto artístico final, alunos de todos os cursos ofertados (dança, teatro, cenografia e figurino) se unem, orientados pelos seus respectivos professores, em um único resultado. Assim, cada grupo de alunos dentro da sua esfera de atuação trabalham juntos para um bem comum: a montagem do espetáculo.
O texto sugerido pelo professor Paulo Santana, que foi eleito pelas turmas é do dramaturgo paraense Paulo Faria chamado Um Certo Faroeste Caboclo, inspirado na música Faroeste Caboclo da banda de rock do anos oitenta Legião Urbana com letra de Renato Russo. O espetáculo conta a história de João de Santo Cristo, o filho de um sem terra que sai de Conceição do Araguaia interior do Pará pra ir até Brasília buscar uma outra vida, com isso ele é corrompido pelas drogas e pelo rock se tornando um dos maiores traficantes da região e é assassinado por um rival. Desde o principio a ideia é de que o espetáculo fosse um grande musical, com corpo coreográfico e muitas canções.
Quando entramos em contato com a turma, eles já haviam selecionado o texto e estavam trabalhando a marcação do esqueleto da encenação em cima da dramaturgia, e em paralelo a construção das personagens e a preparação vocal. Porém ainda assim tudo estava muito cru, e de imediato identificamos o primeiro atrito: uma dramaturgia densa, forte, preenchida por uma juventude rebelde e revolucionária que esbarra num elenco jovem e cheio de energia, mas sem essa ferocidade da experiência de vida, logo o embate era claro, eles não compreendiam o texto, seja pela juventude de pouca vivência ou talvez por uma falha no processo de aprendizagem em algum momento, deduzindo que enquanto alunos eles foram condicionados a ler o que está a olho nu, e nesse momento falta a interpretação do texto, aquilo que está nas entrelinhas, o que para o nosso entendimento é uma ferramenta básica de trabalho do ator, uma obrigação.
Enquanto acadêmicos achamos necessário pontuar esse tipo de falha e pensar: se o erro vêm desde o nível médio era uma responsabilidade da escola educar o aluno quanto a isso? E quando o professor da ETDUFPA percebe a lacuna, existe o momento onde isso pode ser corrigido, ainda que a turma já tenha passado e sido aprovada numa disciplina chamada Interpretação? Ao nosso ver, esses questionamentos surgem a partir da análise dos processos avaliativos da própria instituição, pois somos orientados a exercer uma avaliação processual, diagnóstica e continua, contudo na prática o sistema educacional exige dos professores números no âmbito quantitativo, logo eles precisam aprovar alunos com boas médias e os diagnósticos conclusivos do processo não estão contemplados nos conceitos finais.
O processo foi árduo, a dramaturgia exigia um cuidado maior e a proposta de encenação a priori não cabia nos passos dos alunos, mas nada melhor do que uma direção escrupulosa para conduzir o elenco. Nesse aspecto surge outro questionamento, não devemos esquecer que esse espetáculo não pode fugir do caráter pedagógico, afinal ele faz parte de uma disciplina de um curso regulamentado pelo MEC, que tem como objetivo a prática do teatro e não a montagem do espetáculo enquanto um produto para a cidade. Entretanto quando o professor sai da sala de aula, metaforicamente falando, e vai para o teatro viver um processo de construção de cena com os alunos ele deixa de ser professor de uma turma e passa a ser o diretor de um elenco, essa postura, independente de se acordada ou não com a turma, é uma constante, tendo em vista que os professores são artistas da cidade, e é complicado dentro de um processo de encenação não ser o diretor e não visar o produto final e a sua qualidade estética. Quando o professor vira diretor, ele não precisa fazer plano de aula ou plano de disciplina, o que ele precisa é ensaiar o seu espetáculo para que tudo dê certo no final, dentro desse processo essa dualidade de comportamento foi o que mais nos instigou, porque quando lhes convinham os professores assumiam suas cadeiras e ameaçavam, àquela altura do campeonato, seus atores de serem reprovados, de modo geral esse tipo de atitude se aplicava a todos os professores coordenadores de todas as esferas a qual o espetáculo demandava. A questão a ser discutida nesse relatório é: de que maneira essas posturas influenciam no processo de ensino-aprendizagem dos alunos?
Mais uma vez nos deparamos com uma lacuna avaliativa, pois ao decorrer do processo alunos que tinham problemas básicos (dicção, projeção vocal, articulação, timidez, um corpo solto e sem vigor, etc.) cresceram, ganharam força, melhoraram consideravelmente, foram pra cena e fizeram um trabalho primoroso, assim como também tiveram alunos que entraram com uma dificuldade textual ou corporal, passaram pelo mesmo processo, apresentaram o espetáculo e foram aprovados com a mesma média que os outros na disciplina, continuando com os mesmos problemas e com uma evolução pouco produtiva. Reconhecemos a dificuldade que é avaliar um objeto artístico, mas é necessário ponderar as coisas a nível crítico e entender que aqueles atores são alunos e enquanto professores precisamos construir uma metodologia analítica que diz respeito ao desempenho dos alunos, levando em consideração não apenas as tarefas que foram cumpridas e sim como os alunos se desenvolveram ao decorrer da disciplina, nesse sentido o problema é: quem avalia é o professor, mas quem vive o processo é o diretor.
Para nós, discentes, essa experiência foi de extrema importância, tendo em vista que pudemos exercitar nossos conhecimentos adquiridos ao decorrer do curso não só em teoria, mas na prática também, pois os professores nos deram liberdade dentro do processo e assumimos funções e responsabilidades, por vezes fazíamos até assistência de direção, nossa presença nos ensaios não era meramente para observar, estávamos diretamente ligados ao espetáculo e todos os seus pormenores, viramos parte da equipe dentro do trabalho e tudo foi muito enriquecedor. Tudo que nos inquietou foi observado e analisado de perto, nossas reflexões tem base nas teorias que os nossos docentes nos repassaram e na análise da realidade a qual fomos inseridos.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
sábado, 14 de julho de 2012
Saco de ossos.
Somos humanos, somos vulneráveis. Somos feitos de crenças e sentidos, somos descrentes e insensíveis. Vivemos perigosamente, atravessamos ruas, entramos em veículos cheios de materiais inflamáveis, moramos em edifícios, inventamos armas, mexemos no fogão, usamos coisas de vidro, entramos em contato com animais, comemos coisas das quais não sabemos a proveniência, ingerimos álcool, usamos drogas, estamos expostos a todos os riscos vinte e quatro horas. Somos frágeis, podemos dormir e simplesmente não acordar, podemos ser saudáveis e respeitar as leis, mas um dia quando você está atravessando a rua na faixa de pedestres e um motorista desatento avança o sinal vermelho e passa por cima de você deixando seus órgãos expostos no asfalto, fazendo com que todos os seus planos virem lembranças, e sua única perspectiva de vida a partir de agora é um leito de hospital. Somos humanos, somos burros.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Falta que não tinha
Me acostumo a sentir falta e já não falta o que sinto
E agora só falta a ausência que habita a presença.
Fé, fé cênica. Fé em ti. Fé em mim.
Quanto tempo falta para que as palavras fujam de nós
e tudo vire lembrança, marcando tudo que não queremos mais lembrar....
falta eu, falta você
falta acabar o amor
enquanto isso... aqui, lá, eu, você
enquanto eu choro café
você chora leite
E agora só falta a ausência que habita a presença.
Fé, fé cênica. Fé em ti. Fé em mim.
Quanto tempo falta para que as palavras fujam de nós
e tudo vire lembrança, marcando tudo que não queremos mais lembrar....
falta eu, falta você
falta acabar o amor
enquanto isso... aqui, lá, eu, você
enquanto eu choro café
você chora leite
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