As crianças me entendem, porque ainda floresce em mim as utopias da infância,porque assim como elas, ainda não desisti do mundo, ainda acho que tudo pode ser da cor que eu quiser, ainda acredito que com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo. Eu entendo as crianças, porque eu ainda sei o quanto chocolate é mais gostoso do que o almoço, ainda diferencio os sabores dos bombons de fruta e sei quais são os chicletes que não perdem o açúcar rápido.
Há uma leveza que é inacreditável, uma junção de todas as cores, de todos os gostos, de todos os sonhos, de todos os sentimentos puros, de todos os sorrisos sinceros, e todos os carinhos gratuitos e de todos os olhos brilhantes.
Sou livre como os moleques que tomam banho de chuva às três da tarde, pulam nas poças e chutam lama uns nos outros, isso me torna exposta à todas as energias que cercam, e se pesas, pesarei junto; com a inocência juvenil que me toma, te beijarei e te passarei as forças que me restarem. Desculpe-me se não for suficiente, te abraçarei e te darei conforto. Sempre ali, com um sorriso que te satisfaça, porque tu me dói.
Apesar de tudo, eu peso. Peso porque estou repleta de tantas outras coisas mundanas, coisas que tomam os adultos e faz com que eles fiquem cegos e sem amigos, a diferença é que ainda há luz no meio peito e sensatez no meu espírito. Como tudo há de morrer, espero que não engulam os brotos das sementes que tanto cultivo, quero ver grandes arvores frutíferas destribuirem com tanto zelo, as mesmas sementes. Acredito que nesse dia, já não haverá tantas utopias diárias.
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