Enquanto se perguntavam sobre ciúmes, ambos pensavam no desejo e talvez um até seja proveniente do outro, porém a sensação corpórea que cada um causa é diferente, e a percepção do outro quanto à isso é sensível ao ponto de não precisarem de palavras para distinguir as sensações, muito menos julgamentos de certo ou errado. Aquilo que foi vivido por eles, só diz respeito à eles, e eles sabem disso. São duas pessoas maduras o suficiente para compreender que sentimentos se concretizam e se idealizam rápido demais, e se não forem bem administrados podem causar dores desnecessárias e enche-los de arbitrariedades. Um homem maduro, delicado, intenso e com espírito de um garotinho. Uma mulher segura de si, leve, viril e com uma juventude inteira pela frente. Enquanto ele pulava sua primeira cerca, fugindo de um pai enfurecido, ela estava entrando no jardim da infância brincando de balanço. Pequenos detalhes que são mera curiosidade.
O tempo para eles também é uma questão de relatividade. Sabem que não tem tempo para perder tempo, logo aproveitam da melhor forma possível o tempo que tem juntos. A convivência ajuda vide que ambos tem, precisamente, o mesmo tempo livre nos mesmos dias da semana, e ainda estão no mesmo lugar coincidentemente, ou não. O que, de fato, importa pra eles não é quantidade, não é a duração, é a intensidade com que essas experiências vão sendo vividas. Voltam aos tempos onde as coisas precisam ser escondidas, agem como dois adolescentes fazendo algo errado, e esse friozinho na barriga é o que alimenta esse sentimento.
É. Isso é um sentimento. Entretanto, acho que isso ainda não passou pela cabeça deles. Eu diria que é paixão, essa dita que se dá de imediato, arrebata corações e transforma a vida das pessoas. Eles estão se transformando diariamente. Já não se sabe quem é quem, ou quem tomou quem, só se sabe que eles são dois, que por muitas vezes são apenas um. Sim, sim, eu sei que eles irão negar isso enquanto puderem, por questão ética, claro, não é válido assumir o que não convém ser assumido. Aliás, assumir o que? Se não há nada para ser assumido, além dos questionamentos diários sobre o que é isso que eles estão vivendo. Sinto que eles relutam em se entregar completamente à isso, pobres coitadinhos, mal sabem que já estão envolvidos um com o outro dos pés a cabeça. Se não, o que explica tantas mensagens de texto que eles costumam trocar? O que explica tantas conversas, tantos beijos, tantos carinhos e pouco sexo? O que explica esse cuidado, essa afeição que um tem pelo outro? O que explica tanta conexão entre corpos tão distintos? O que explica o ciúme? Ahh o ciúme, o pior dos luxos. É o egoísmo disfarçado de sentimentalismo barato, a pior das luxúrias é a possessão, e esta se materializa através do ciúme. O ciúme é o ápice do envolvimento, é quando os dois se descobrem tão conectados um ao outro, por mais que estejam cheios de capas e contra-capas, que fraquejam e mostram a real explicação de tudo isso: A paixão.
Bom, acabo de lhe contar mais uma história de amor barata. Se isso terá ou não um final feliz, pouco me importo, e diga-se de passagem até opto por um desfecho lacrimal, porque histórias de amor que se prezam não são felizes, são por natureza incompletas, eternas e tristes, se não for assim não é amor de verdade. A onde quero chegar com todo esse discurso clichê e infame a respeito do amor? Em lugar algum, não pretendo nem sair da frente do computador. Só compartilho mais um sentimento frustrado e lindo, que dói e preenche. Pelo menos, é dessa forma que compreendo as coisas me cercam. Desculpem-me se estiver enganada.
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