terça-feira, 19 de julho de 2016

Desabafo da Madrugada

Você está ali vivendo sua vida, tendo dias normais, trabalhando muito e ganhando pouco, reencontrando amigos, celebrando noites comuns nos bares de sempre. Inclusive na vida não tem tido muitos momentos propícios à serem festejados, mas não dá pra ser menos etílico do que o habitual, então é necessário calibrar de vez em quando. O problema está quando erramos a margem do álcool e capotamos nas curvas de nossas estradas, tropeçamos nas mãos que foram enfiadas por entre as pernas e nos perdemos. Em meio a conversas com argumentos infindáveis, misturado entre os tragos e os goles, de supetão você é acometido por aquele soco no estomago, mas daqueles fortes, que parecem tapas de uma mão bem cheia de dedos bem no meio da sua cara, esses sentimentos que só se sente quando se é açoitado pelas verdades alheias que fazem as palavras se materializarem em sentimentos e dores. Aí você se depara que está imersa em uma discussão sobre egos, vaidades, verdades e cheias de más interpretações sobre os fatos, e percebe que naquela momento não há  mais sentido em nada e todas as palavras virarão dores que serão imortais em nossas memórias, olha ao redor e se pergunta onde estávamos antes disso e como é que conseguimos chegar até ali. Parece que existe uma pulga inquieta querendo  muito saltar e ser ouvida, e parece que ela existe do outro lado também, e quando as pulgas se encontram saltitante inquietas e questionadoras, é quando percebemos que nada esta bem.
Seu corpo se altera, sente os dentes trincados de tensão, as costas cansadas e pesadas, na cabeça além de pontadas afiadas pensamentos turvos que não conseguem se organizar, a cada frase que você ouve seu cérebro processa novos pensamentos e novas sensações, você está girando no olho do furacão da sua própria mente, então você chora, chora copiosamente como se tivesse seis anos de idade. É ridículo você chorar daquele jeito, principalmente porque mostra fraqueza, mas também por ser ridículo mesmo chorar igual à uma criança. Tudo incomoda, o choro de um lado o grito de outro, você para e pensa que o mundo está de ponta cabeça é como se tudo ao redor estivesse em ruínas, sua respiração ofegante deixando o choro ainda pior, seu coração acelerado pulsando dentro do seu peito, se você fechar seus olhos pode ouvi-lo bater dentro de você.  Você se esforça, se concentra, consegue contra-argumentar mesmo não sabendo exatamente qual é o assunto pelo qual estamos tendo todo esse desgaste emocional, E ao mesmo tempo percebe-se tantos poréns diferentes que vem a tona no calor do momento. Os sentimentos são muito confusos, e o choro piora tudo, você está com medo, está nervosa, está assustada, está com raiva, está magoada, está muita raiva por ter tido o poder de escolha de estar ou não naquela situação, você quer matar, morrer, cair, pular, sair correndo, gritar, berrar, chorar, mas no fundo você queria mesmo era entender tudo aquilo com calma. Ao que tudo indica muitos frutos já estão podres, parece que deu praga no nosso jardim. Vai vê foram aquelas pulgas que se multiplicaram.
Mas mesmo assim, no outro dia pela manhã, os pássaros cantaram no quintal.  






















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